O primeiro ano do Pedro...

sexta-feira, outubro 14

Um dia de graxa

Bem, o dia 11/10 começou cedo. Depois de uma noite muito mal dormida lá estávamos as 8:30 da manhã para ir numa oficina que tínhamos visto na estrada.
O Tadeu, sempre ele, depois de algumas canecas de chopp resolveu mandar um e-mail para o grupo do Land Rover Brasil com o tema "SOS noventinha em Tucuman". Basicamente ele tratava do problema do nosso carro e pedia ajuda a algum de nossos amigos de grupo para ver o que poderíamos fazer.
Foi nessas que conhecemos um dos personagens dessa viagem, o José Bru. O cara é dono de Land Rover apaixonado pela marca e morador de Tucuman. Ainda por cima, o camarada se dispôs a nos ajudar no que fosse preciso em termos de peças, ajuda com os mecânicos, etc e etc.
Neste meio tempo, antes de encontrarmos o José, fomos a uma oficina em que fomos "muito bem" recebidos pelo dono, o Fábian Bravo (nome que lhe cabia perfeitamente pois o camarada era um tanto quanto bravo...). Primeiro ele nos perguntou: "Cuanto tiempo tienen? Tiengo mucho servicio en mi oficina!". A gente já percebeu que o dia seria longo... explicamos para o senhor Bravo que tínhamos outros quatro carros esperando e que o problema tinha que ser resolvido no dia.
Entramos e ele nos mandou ficar no páteo. Apareceu o mecânico, Ezequiel, que testou todo o sistema de injeção e não descobriu nada. Mexe daqui, fuça dali e nada... eu olhava para o Chimbica e para o Marcelo e só pensava: F O D E U!!!!!
O cara mandou a gente botar o carro para dentro da oficina, sinal que o problema era mais sério e nos mandou ficar de fora (os caras instalavam Lo Jack na oficina e existe um procedimento de sigilo que nenhum estranho pode estar por perto)... A gente de fora, com cara de bunda, os argentinos fazendo corpo mole e vendo como iriam faturar alguma plata dos brasileiros. Chimbica, o mecânico, parecia um animal enjaulado e numa hora entrou na oficina e pediu para ajudar. Os caras toparam! Era o iníncio de uma luz.
Em menos de meia hora, Chimbica era praticamente o chefe daquela oficina, dando ordem nos mecânicos e pegando ferramentas, discutindo com todo mundo em seu português de Brotas a origem do problema e o que precisava ser feito. Juro por Deus, não sei até agora como os caras se entendiam...
Buenas, passados mais dez minutos todos estávamos dentro da oficina em que supostamente éramos proibidos de estar, o que me leva a concluir que brasileiros e argentinos são exatamente iguais.
Ficamos trabalhando no carro e descobrimos que a correia dentada estava com problema. Sim, o argentino, dono da oficina, que nos mandou procurar por esse defeito tinha razão! Desmontamos tudo, limpamos, compramos as peças e, às 18:45 (45 minutos depois do fechamento da oficina - eles fizeram hora extra) o carro foi ligado. Tudo funcionando perfeitamente, um baita alívio. Nada demais tinha acontecido, por um lance de sorte, como o Luiz Fraga (The Specialist - de São Paulo) comentou num e-mail.

Saldo do dia:

10 horas de trabalho sem almoço
1300 pesos (R$ 700) em peças novas
900 pesos (R$ 400) de custo da oficina
40 pesos (R$ 18) de propina para o Ezequiel (que deveria ter pago antes)
Um novo amigo feito em Tucuman (José Bru)
Toda a parceria do Chimbica, Marcelo, Tadeu, etc e etc.
Toda a torcida e paciência do grupo
Uma baita sensação de alívio.

Bora para a estrada.

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