O primeiro ano do Pedro...

quarta-feira, outubro 19

San Pedro de Atacama (Chile) - Purmamarca (Argentina)










































































BYE BYE CORDILHEIRA!!!



Saimos de San Pedro do Atacama no dia 19/10 bem cedo com rumo ao Paso Jama (lê-se Rama), na fronteira com a Argentina. Durante parte da viagem, seguimos pelo sul da fronteira do Chile com a Bolívia. Confesso que deu uma pena de não ir para a Bolívia conhecer o Salar de Uyuni mas as condições de segurança não favoreciam nesse momento.
A estrada que percorremos desta vez é asfaltada e bem movimentada com muitos carros, ônibus e caminhões (destaque para os Caminhões-Cegonha levando muitos carros usados (Coreanos, Japoneses, etc) para a Bolívia e para o Paraguai através dessa estrada. Inacreditável como eles conseguem fazer as curvas com tamanha facilidade!
Esta estrada passa por alguns salares até a fronteira e tem umas vistas espetaculares, especialmente dos vulcões e da cadeia montanhosa que divide o Chile da Bolívia.
Depois de feitos os trâmites burocráticos de entrada na Argentina, seguimos com destino a Purmamarca, já do outro lado da Cordilheira e numa altitude menor (mais ou menos 2000 m acima do nível do mar). Passamos pelo salar Salina Grande em que paramos para conhecer e tirar umas fotos.
Chegando em Purmamarca, entendemos por que a cidade tem como atrativo uma montanha e é conhecida como a cidade das sete cores...Ela fica no meio a um vale lindo e as montanhas são de vegetações diversas o que nos permite a sensação de diversas cores conforme a luminosidade do dia. A pousada que ficamos era bem aconchegante e o jantar foi animado regado a bons vinhos e cerveja locais com os amigos. O atrativo da cidade é a praça central com diversos artesanatos e um café, mas tudo fecha cedo, às 20h00.
Neste dia, tivemos uma notícia boa, o carro do Tadeu já estava funcionando e ele nos encontraria em Salta para retornarmos juntos.

segunda-feira, outubro 17

San Pedro de Atacama - Parte II





















































































































































































































Chegando a San Pedro do Atacama, encontramos uma realidade bem diferente do que pensávamos e do que vivenciamos na parte Argentina do deserto. É uma cidade pequena mas apinhada de turistas de todas as partes do mundo e que, por isso, ficou com um aspecto bem comercial. Tentamos a todo momento fazer um paralelo com alguma cidade do Brasil e chegamos a algo parecido com o povoado de Maringá em Visconde de Mauá... lá tem muitos restaurantes, bares, lojas, artesanatos locais, etc o que dá um certo charme ao lugar também. De qualquer maneira, esta estrutura, ajuda a ter um maior conforto nessa parte da viagem. Vale lembrar que o "marketing" em torno do deserto "aconteceu", na cidade San Pedro de Atacama, porém a área total de sua extensão, engloba regiões da Argentina e Bolívia que não são tão exploradas e conhecidas ainda.







O local em si, concentra muitas opções de turismo e passeios como as Termas de Puritama (com suas águas limpas a 33 graus – aquecidas pelo vulcão - em meio ao deserto), os Geisers do El Tatio, Vale da Morte, Vale da Lua (com o atrativo de assistir o por do Sol), Salar do Atacama, Parque Nacional dos Flamingos, etc e etc. Todos estes passeios estão num raio de até 100 quilômetros de distância e existem operadoras locais que prestam este tipo de serviço. Durante a estadia na cidade, tivemos manhãs livres para passeios e compras na região e o nosso grupo (Gaia Expedições) optou por realizar os passeios em horários diferentes das operadoras de turismo local. Neste sentido, chegamos ao El Tatio no final do dia para ver o por do sol o que nos permitiu visualizar o fenômeno dos Geisers praticamente sozinhos e a uma temperatura mais amigável e perto de zero graus do que abaixo disto para àqueles que vão no início da manhã. Aproveitamos para aquecer uma caixa de chocolate quente que deu uma espantada no frio da noite!
Quando aos restaurantes, jantamos em três locais diferentes. A maioria deles são muito aconchegantes com fogueiras e lareiras no local para aquecer o ambiente. O primeiro foi o Adobe (o melhor do lugar) com pratos variando entre carnes, peixes e crustáceos (estamos a apenas 200 quilômetros do Pacífico), no segundo dia fomos "na Casona" (acho que era esse o nome) em que comemos saladas e uma Parrilla Chilena. No terceiro dia fomos na Casa de Piedra, uma pizzaria honesta mas nada parecida com as pizzas que estamos acostumados aqui no Brasil.
Sobre a arquitetura local, o vilarejo é muito simples e como se trata de um deserto, não há motivo, por exemplo, para se preocupar com telhado em um posto de gasolina, ou mesmo em casas com calhas, uma vez que praticamente não chove na região. As construções são todas de um tijolo local e também as que utilizam madeira, na sua maioria, são madeiras dos cactus gigantes que falamos, os cardones que eu confesso não ter noção de que eram assim resistentes para construções civis.

domingo, outubro 16

San Pedro de Atacama - Parte I (San Antonio de Los Cobres- Paso Sico - San Pedro de Atacama)


































































































































Ficamos um tempo sem postar (e a viagem acabou ontem) mas é que as coisas foram um pouco intensas neste final. Retomando nossa viagem...
Saímos de Santo Antonio de Los Cobres no dia 16/10, bem cedinho (7:30 da manhã) com 3 graus negativos. Seguimos com destino a Paso Sico, dirigindo por mais uns 300 Km de estradas de rípio (terra + cascalho), passando por dois salares fantásticos até chegar à fronteira.
Chegamos na fronteira, fizemos os trâmites burocráticos (na verdade esse Paso é bem tranqüilo uma vez que quase ninguém o usa – tem um asfaltado a uns 100 km mais ao norte, chamado Paso Jama), seguimos em direção à fronteira propriamente dita, onde paramos para tomar um lanche e comer tudo o que não poderia entrar no Chile, como embutidos, mel, frutas, pães que já estivessem abertos, sucos abertos e etc. No meio desse nosso piquenique, antes da linha de fronteira – quem se lembra do War com as fronteiras bem desenhadinhas, nessa fronteira tem uma estrada simulando a demarcação da linha entre os dois territórios... muito interessante – quando chegou um carro dos Carabineros do Chile (Polícia local). Vieram nos perguntar o que estávamos fazendo quando Chimbica, nosso mecânico, percebeu que o carro deles estava com o pneu furado. Resumindo, trocamos o pneu deles inclusive com o nosso macaco, sendo que nós estávamos de um lado da placa de fronteira (ainda na Argentina) e eles do outro lado da placa, ou seja, no Chile, foi bem engraçado a situação.
Seguimos adiante para o controle sanitário do Chile que acontecia normalmente naquela cabine, a mais de 4.000m de altitude. Neste momento, descobrimos que o controle seria feito apenas em San Pedro do Atacama e lá só foi feito uma entrada. Que alívio, juro que achei que fosse ter um treco. Como sou proprietária do carro e neste momento os proprietários é que se dirigem primeiramente para as cabines de controle, a altitude me pegou de uma forma tão esquisita que minhas pernas não me deixavam andar em linha reta, o coração acelerou e as pernas eram muito pesadas, parecia completamente embriagada. Procurei manter a calma, parar, respirar, sentar e beber água. Depois disso, logo melhorei. Mas o visual era lindo, pena que não estava tão boa para registrar mais fotos!
Cruzando a fronteira, por mais que estejamos na mesma Cordilheira e no Deserto do Atacama, a paisagem sofre uma pequena mudança. Começamos a notar mais gelo no topo das cadeias de montanha e na própria estrada, nos obrigando a fazer caminhos alternativos. Algumas montanhas que já tinham passado pelo desgelo parecem uma pintura, pois o gelo muda a coloração da montanha. Entendemos bem o nome do "bolo nevado" das confeitarias famosas!
Seguindo viagem, passamos por um longo trecho em Altiplano e descida, em que pudemos observar muitas formações vulcânicas em sequência com os seus picos nevados e até um vulcão em atividade, soltado fumaça, o Lascar com 5.592m.
A grande estrela do lugar em termos de tamanho é o vulcão Licancabur. Desde que iniciamos a descida até a cidade de San Pedro de Atacama e durante toda a nossa estada, ele sempre estava presente. O antigo povo atacamenho atribuía a este vulcão a figura de um Deus que ficava observado a todos do alto de seus 5.916 metros de altitude. A paisagem também mudou, ficou mais árida, desértica e ao fundo era possível observar o enorme Salar do Atacama, um dos habitats naturais dos flamingos. Um dia bem cansativo e recompensador, os longos deslocamentos e estrada pesada de rípio foram compensados por paisagens diversificadas e lindas no altiplano da Argentina e Chile, o que me leva a ter certeza de que é muito egoismo pensar que "Deus é brasileiro", tem muita coisa linda a ser descoberta por aí!