
A nossa viagem, até aqui, foi marcada por dois dias de grandes deslocamentos, ontem rodamos 730km e hoje quase 800km por dois motivos, falta de atrações entre estes trechos e principalmente, falta de estrutura. Cruzamos uma região do Norte/Nordeste para o Noroeste/Oeste da Argentina. Esta região ela faz margem com o Rio Paraná e afluentes em um pedaço e é uma região muito plana com estradas em linha reta (bem monótonas por sinal). Para nós que gostamos muito de estradas como uma Airton Senna rumo ao litoral com 100km de retas, temos que pensar agora em 500, 600, até 700km em linha reta, é para testar a paciencia de qualquer um. Entendemos bem o que passa um piloto de avião em um vôo internacional. Chega uma hora que não há conversa e nem música capaz de qualquer mudança de humor, a paisagem é a mesma e apenas quando mudamos o vilarejo ou mudamos de província é que conseguimos um pouco de agito. Neste longo trajeto graças à Deus não presenciamos nenhum acidente, afinal em retas as pessoas correm mesmo, mas entre uma província e outra há um posto de polícia. Neste posto, os carros param na estrada mesmo, sem pisca alerta (não encostam como no Brasil), ou seja, toda a estrada pára! Os policiais perguntam se tudo está bem, aonde vamos e quando percebem que os 5 carros com bandeiras do Brasil estão também parados (sim porque o comboio está unido), se sentem constrangidos em pedir a documentação e logo passamos a barreira. Sobre a documentação, além do documento do carro e nossa CNH, precisamos de uma Carta Verde que é uma extensão do seguro do carro para o Mercosul. Ou seja, a barreira ocorre para todos os viajantes e neste sentido há controle, há consciência inclusive sobre beber e dirigir. Todos os postos vendem cerveja e destilados, diferente do Brasil e não há abuso até onde pudemos ver. Ainda nesta viagem, observamos ao longo da estrada muitos altares pequenos com bandeiras vermelhas e garrafas de água. Aliás, toda a região que cruzamos até Corrientes no dia anterior, fazia parte das regiões das missões dos Jesuítas (como Oeste de SC e RS). Muitas cidades com nomes de Santos, muitas igrejas pequenas e uma população muito religiosa. Quanto aos altares, descobrimos que se trata de uma homenagem dos viajantas à Defunta Deolinda Correa que tem muitos devotos pelo que pudemos ver. Trata-se de uma mulher que seguiu o marido no exército com um bebê nos braços na época que 1840 e quando ela entrou na região do Deserto em San Juan ela morreu. Encontraram o seu bebê vivo, mamando no seu seio e por muitos considerado um milagre pois o seu corpo já estava morto. Ela morreu de sede e conseguiu alimentar o seu bebê. A estória dela ainda não foi aceita como um milagre pela igreja católica que chegou até a reclamar de um santuário que foi erguido em nome dela em uma cidade por aqui. Mas TODOS os locais na estrada tem bandeiras vermelhas, árvores com altares na sombra e os viajantes depositam água. Seja a Defunta Santa ou Não Santa, como fiéis viajantes que somos, faremos também a nossa homenagem depositando a um altar uma pequena garrafa de água, afinal tudo tem dado super certo até aqui...
A viagem seguiu curso até San Miguel de Tucumã, a cidade mais antiga da Argentina, ao pé da Cordilheira, mas ainda a uns 450m de altitude. A cidade é muito charmosa e como chegamos aqui no dia do feriado de Cristovão Colombo a cidade toda estava andando pela praça, caminhando e jantando nos cafés. Durante a noite, todas as constuções antigas estavam iluminadas, lindo!!!
Amanhã faremos um passeio para conhecer e explorar melhor a cidade já que o deslocamento será pequeno até Taffi del Vale.
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